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19 de abr. de 2017

O EGO E OS DESEJOS - Por Eckhart Tolle


O ego se identifica com possuir, mas sua satisfação com isso é de certa forma superficial e passageira. 

Oculta internamente, ela permanece como um sentimento profundo de insatisfação, de estar incompleto, de "não é o bastante", "não tenho o suficiente", com o que o ego de fato quer dizer: "Não sou o bastante ainda."

Como vimos, ter - o conceito de propriedade - é uma ficção criada pelo ego para adquirir solidez e permanência e se destacar, tornar-se especial. Mesmo que não sejamos capazes de nos encontrar por meio disso, existe outro impulso mais forte subjacente a esse que pertence à estrutura do ego: a necessidade de mais, o que podemos também chamar de "desejo".

O ego não dura muito tempo sem isso. Portanto, querer o mantém vivo muito mais do que ter. Para ele, o apelo de querer é mais forte do que o de ter. E, assim, a satisfação superficial de ter é sempre substituída pelo querer mais. 

Essa é a necessidade psicológica de mais, isto é, de mais coisas com as quais se identificar. É como um vício, não é verdadeira.

Em alguns casos, essa necessidade psicológica, ou a sensação de que ainda não há o bastante, que é tão característica do ego, é transferida para o nível material e, então, converte-se na avidez insaciável. 

Em geral, as pessoas que sofrem de bulimia obrigam-se a vomitar para continuar comendo. É sua mente que está faminta, e não seu corpo. Os que sofrem desse distúrbio alimentar poderiam se curar se, em vez de se identificar com a mente, conseguissem entrar em contato com o próprio corpo e assim sentissem suas verdadeiras carências físicas em lugar das pseudo necessidades da mente egóica.

Alguns egos sabem o que querem e perseguem seu objetivo com uma determinação inflexível e implacável - Gêngis Khan, Stalin, Hitler, para dar apenas alguns exemplos inquestionáveis. 

A energia por trás da sua vontade, porém, cria uma energia oposta de igual intensidade que, por fim, leva à queda desses indivíduos. 

Nesse ínterim, eles se tornam infelizes e fazem o mesmo com muitas pessoas ou, como mostram episódios clássicos, criam o inferno sobre a Terra. A maioria dos egos tem vontades conflitantes. Eles querem coisas diferentes em momentos distintos ou talvez nem saibam o que desejam. 

Só sabem o que não querem: o momento presente. Desconforto, desassossego, tédio, ansiedade, insatisfação, tudo isso é resultado da vontade insatisfeita.

Como querer é algo estrutural, nenhum acúmulo de conteúdo consegue oferecer

uma satisfação duradoura enquanto essa estrutura mental está em ação. O desejo intenso que não tem um objeto específico costuma ser encontrado no ego ainda em desenvolvimento dos adolescentes. É por isso que alguns desses jovens vivem num estado permanente de negativismo e insatisfação.

Todos os seres humanos do planeta poderiam ser facilmente atendidos em suas carências materiais em relação a alimento, água, abrigo, roupas e confortos básicos, não fosse pelo desequilíbrio de recursos criado pela necessidade insana e voraz de querer sempre mais, a ganância do ego. 

Isso encontra expressão coletiva nas estruturas econômicas, como as grandes corporações, que são entidades egóicas que competem entre si por mais. Seu único - e cego - objetivo é o lucro. Elas perseguem essa meta do modo mais implacável possível. 

A natureza, os animais, as pessoas, até mesmo os funcionários, não são mais do que algarismos no seu balanço comercial, objetos inanimados a serem usados e depois descartados.

As formas de pensamento "mim", "meu", "mais do que", "eu quero", "eu preciso", "eu devo ter" e "não o bastante" pertencem não ao conteúdo, mas à estrutura do ego. 

O conteúdo pode ser trocado. Enquanto não reconhecemos essas formas de pensamento em nós mesmos, isto é, enquanto elas permanecem inconscientes, acreditamos no que elas dizem. 

Assim, ficamos condenados a agir de acordo com esses pensamentos inconscientes, a buscar e não encontrar, pois, quando eles entram em ação, nenhum bem, nenhum lugar, nenhuma pessoa, nenhuma condição jamais nos satisfaz. 

Não há conteúdo capaz de atender nossa vontade enquanto a estrutura egóica permanece atuante. Não importa o que tenhamos nem o que venhamos a conquistar, não seremos felizes.

Sempre estaremos procurando alguma coisa além que nos prometa mais plenitude, que nos diga que vai completar a percepção do eu insatisfeito e saciar aquele sentimento de carência que trazemos dentro de nós.

Eckhart Tolle em o Despertar de uma nova consciência

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18 de abr. de 2017

RELACIONAMENTOS E CONSCIÊNCIA - Por Eckhart Tolle


Quando os egos se encontram, quer em relacionamentos pessoais quer em organizações e instituições, mais tarde ou mais cedo acontecem coisas "más", dramas, dramas de uma ou de outra espécie, sob forma de conflitos, problemas, lutas de poder, violência física ou emocional, e outras coisas semelhantes. 

Isto inclui males coletivos, como por exemplo a guerra, o genocídio e a exploração - tudo devido à inconsciência acumulada. 

Além disso, muitos tipos de doenças são causadas pela resistência permanente do ego, que cria restrições e bloqueios no caudal da energia que percorre o corpo. 

Quando você se liga novamente ao Ser e deixa de ser governado pela sua mente, deixa de criar essas coisas. Deixa de criar ou de participar em dramas.(...)

O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de "ainda não é o bastante", de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem-sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo.

Em geral, vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre o "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia.

O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor.

Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias.

Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante.(...)

Sempre que dois ou mais egos se juntam, sucede-se algum tipo de drama. E mesmo que você viva completamente só, continuará a criar o seu próprio drama. 

Quando você se lamenta, isso é um drama. 

Quando se sente culpado ou ansioso, isso é um drama. 

Quando deixa que o passado ou o futuro obscureçam o presente, está a criar tempo, tempo psicológico - a matéria-prima do drama. Sempre que não honra o momento presente, permitindo que ele seja, está a criar um drama.(...)

Em determinados casos, precisamos nos proteger ou defender uma pessoa dos atos prejudiciais de alguém. No entanto, temos que ter cuidado para não transformar isso numa missão de "erradicação do mal", uma vez que, provavelmente, nos converteremos na própria coisa que estamos combatendo. 

Lutar de modo inconsciente pode nos levar à inconsciência - o comportamento egóico desajustado - nunca seja vencida pelo ataque.

Mesmo se derrotarmos o oponente, ela se transferirá para nós ou esse adversário reaparecerá num novo disfarce. Nós fortalecemos tudo aquilo que combatemos, enquanto todas as coisas a que resistimos persistem.

Reconheça o ego pelo que ele é: um distúrbio coletivo, a insanidade da mente humana. Quando o identificamos pelo que ele é, deixamos de interpretá-lo erroneamente como a identificação de uma pessoa. 

E temos mais facilidade em não adotar uma atitude reativa em relação a ele. Já não o tomamos como algo pessoal. Não existe queixa, culpa, acusação nem ação equivocada. Ninguém está errado. É apenas o ego em alguém, só isso.(...)

Um dia, a meio de uma discussão, você apercebe-se de súbito que tem escolha e pode decidir deixar de lado a sua própria reação... só para ver o que acontece. Você rende-se.

Não quero dizer pôr de lado a reação apenas a nível verbal, dizendo «Pronto, tens razão» com um ar que expressa «Estou acima de toda esta inconsciência infantil». 

Fazê-lo é apenas deslocar a resistência para outro nível, com a mente egocêntrica ainda no comando, a invocar superioridade. Estou a falar de abandonar todo o campo energético mental e emocional que estava a lutar pelo poder e que você tem dentro de si.

Resultado de imagemO ego é matreiro, por isso você tem de estar bem alerta, bem presente e ser totalmente honesto consigo mesmo para ver se deixou verdadeiramente de se identificar com uma posição mental e, desse modo, se libertou da sua mente.

Se você se sentir de repente muito leve e profundamente em paz, é um sinal inconfundível de que se rendeu verdadeiramente. 

De seguida, observe o que acontece à posição mental da outra pessoa quando você deixa de lhe conceder energia através da resistência. 

Quando a identificação com posições mentais está fora do caminho, começa a verdadeira comunicação.

Tome consciência dos pensamentos que lhe ocorrem. Separe-os da situação, que é sempre neutra - ela é como é.

Existe a circunstância ou o fato, e você terá seus pensamentos a respeito deles. Em vez de criar histórias, atenha-os aos fatos.

Por exemplo: "Estou arruinado" é uma história. Ela limita a pessoa e a impede de tomar uma providência eficaz. "Tenho 50 centavos na minha conta" é um fato.

Encarar os fatos é sempre fortalecedor. Tome consciência de que, na maioria das vezes, suas emoções são criadas pelo que você pensa - observe essa ligação. Em vez de ser seus pensamentos e suas emoções, seja a consciência por trás deles. A causa primária da infelicidade nunca é a situação, mas nossos pensamentos sobre ela.

Eckhart Tolle em A Prática do Poder do Agora

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16 de abr. de 2017

A LEI DA ATRAÇÃO - Por Eckhart Tolle


Quem nós pensamos que somos está intimamente ligado a como nos consideramos tratados pelos outros.

Muitas pessoas se queixam de que não recebem um tratamento bom o bastante. “Não me tratam com respeito, atenção, reconhecimento, consideração. Tratam-me como se eu não tivesse valor”, elas dizem.

Quando o tratamento é bondoso, elas suspeitam de motivos ocultos. “Os outros querem me manipular, levar vantagem sobre mim. Ninguém me ama.”

Quem elas pensam que são é isto: “Sou um pequeno eu’ carente cujas necessidades não estão sendo satisfeitas.”

Esse erro básico de percepção de quem elas são cria um distúrbio em todos os seus relacionamentos. Esses indivíduos acreditam que não têm nada a dar e que o mundo ou os outros estão ocultando delas aquilo de que precisam.

Toda a sua realidade se baseia num sentido ilusório de quem elas são. Isso sabota situações, prejudica todos os relacionamentos. Se o pensamento de falta – seja de dinheiro, reconhecimento ou amor – se tornou parte de quem pensamos que somos, sempre experimentaremos a falta.

Em vez de reconhecermos o que já há de bom na nossa vida, tudo o que vemos é carência.

Detectarmos o que existe de positivo na nossa vida é a base de toda a abundância. O fato é o seguinte: seja o que for que nós pensemos que o mundo está nos tirando é isso que estamos tirando do mundo. Agimos assim porque no fundo acreditamos que somos pequenos e que não temos nada a dar.

Se esse for o seu caso, experimente fazer o seguinte por duas semanas e veja como sua realidade mudará: dê às pessoas qualquer coisa que você pense que elas estão lhe negando – elogios, apreço, ajuda, atenção, etc. Você não tem isso? Aja exatamente como se tivesse e tudo isso surgirá. Logo depois que você começar a dar, passará a receber.

Ninguém pode ganhar o que não dá. O fluxo de entrada determina o fluxo de saída. Seja o que for que você acredite que o mundo não está lhe concedendo você já possui.

Contudo, a menos que permita que isso flua para fora de você, nem mesmo saberá que tem. Isso inclui a abundância.

A lei segundo a qual o fluxo de saída determina o fluxo de entrada é expressa por Jesus nesta imagem marcante: “Dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada, sacudida e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.”

A fonte de toda a abundância não está fora de você. Ela é parte de quem você é.

Entretanto, comece por admitir e reconhecê-la exteriormente. Veja a plenitude da vida ao seu redor. O calor do sol sobre sua pele, a exibição de flores magníficas num quiosque de plantas, o sabor de uma fruta suculenta, a sensação no corpo de toda a força da chuva que cai do céu.

A plenitude da vida está presente a cada passo. Seu reconhecimento desperta a abundância interior adormecida.

Então permita que ela flua para fora. Só fato de você sorrir para um estranho já promove uma mínima saída de energia. Você se torna um doador.

Pergunte-se com frequência: “O que posso dar neste caso? Como posso prestar um serviço a esta pessoa nesta situação?”

Você não precisa ser dono de nada para perceber que tem abundância. Porém, se sentir com frequência que a possui, é quase certo que as coisas comecem a acontecer na sua vida. Ela só chega para aqueles que já a têm.

Parece um tanto injusto, mas é claro que não é. É uma lei universal. Tanto a fartura quanto a escassez são estados interiores que se manifestam como nossa realidade.

Jesus fala sobre isso da seguinte maneira: “Pois, ao que tem, se lhe dará; e ao que não tem, se lhe tirará até o que não tem”

Eckhart Tolle em Praticando o Poder do Agora

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1 de ago. de 2013

A INFLUÊNCIA NEGATIVA DA TELEVISÃO


Ver televisão é a atividade de lazer favorita (ou melhor, a opção de inatividade) de milhões de pessoas em todo o mundo.

Para um número significativo de pessoas, ver televisão é “relaxante”. Observe a si mesmo e verá que, quanto mais tempo sua atenção permanece tomada pela tela, mais sua atividade intelectual se mantém suspensa. Assim, por longos períodos você estará assistindo a atrações como programas de entrevistas, jogos de futebol, Domingão do Faustão, Luciano Huck, programas de humor (sempre com piadas clichês e repetitivas) e até mesmo propagandas, sem que quase nenhum pensamento seja gerado pela sua mente.

Você não apenas deixa de se lembrar dos seus problemas como se torna livre de si mesmo por um tempo – e o que poderia ser mais relaxante do que isso? Afinal, muitos de nós humanos temos dificuldade de viver consigo mesmo, afinal são tantas coisas negativas que temos em mente: problemas, dívidas, traumas, defeitos que não gostamos de pensar que temos; que a melhor solução momentânea que procuramos na terceira dimensão é nos ver livres de nós mesmos…

Mas será que a televisão é benéfica por causar esse tal “relaxamento mental”? Não, a televisão não é benéfica para nossa mente e vou explicar o porquê.

Embora a mente possa ficar sem produzir nenhum pensamento por um bom tempo, a sua mente permanece ligada à atividade do pensamento do programa que está sendo exibido. Mantém-se associada à versão televisiva da mente coletiva e segue absorvendo seus pensamentos.

No entanto, continua assimilando os pensamentos e as imagens que chegam à tela. Isso induz um estado passivo semelhante ao transe, que aumenta a suscetibilidade, e não é diferente da hipnose. É por isso que a televisão se presta à manipulação da “opinião pública” e o que passa no Fantástico cai na boca do povo na segunda-feira.

É só observar o seu ambiente e ver que as pessoas usam o tempo no cafezinho da empresa, ou na hora do almoço entre amigos para comentar matérias que foram passadas no Fantástico ou Jornal Nacional e acabam repetindo as frases e opiniões passadas na reportagem; e a grande parte das notícias é negativa, gerando uma egrégora cada vez mais negativa na mente das pessoas no planeta.

A inatividade da mente quando você está assistindo programas comuns de televisão é apenas no sentido de que ela não está gerando pensamentos e,  na tal “ausência de pensamento” que você não conecta seu eu interior e alcança o tal chamado “estado de graça” e consegue ficar em paz interior. Não, isso não acontece quando você assiste Salve Jorge, Salve José ou Salve o santo que seja!

É por isso que a televisão se presta a manipulação da opinião pública; como é do conhecimento de políticos ou de grupos (o tal “governo oculto”) que atuam por trás de propagandas, filmes, novelas, reportagens – eles gastam fortunas para nos prender no estado de inconsciência receptiva.

O tal “governo oculto” quer que toda população pense de forma padrão e limitada, e fazem isso através de mensagens subliminares (e também explícitas, aliás, bem explícitas; vide o programa Big Brother Brasil) através das programações populares de televisão. E se observarmos ao nosso redor, veremos que o “governo oculto” obtém bastante êxito no objetivo de controle com a grande maioria da população.

Portanto, quando estamos vendo televisão, nossa tendência é cair abaixo do nível do pensamento, e não nos posicionarmos acima dele. A TV tem isso em comum com o álcool e com determinadas drogas.

Embora ela nos proporcione um pouco de alívio em relação à mente, mais uma vez pagamos um preço alto: a perda da consciência. Assim como as drogas, essa distração tem uma grande capacidade de viciar.

Se assistir TV fosse estimulante para o pensamento, motivaria nossa mente a pensar por si mesma, o que é mais consciente e, portanto, preferível a um transe induzido pela televisão.

Não obstante, existem determinados programas e canais muito interessantes na televisão; muitos deles nos fazem raciocinar e repensar alguns antigos conceitos que foram colocados na nossa mente. Também alguns programas podem mexer com as nossas emoções e até mudar nossa vibração para melhor.

Algumas atrações humorísticas acabam sendo importantes para nossa alma; fazendo-nos exercitar o bom humor e, dessa forma, poderemos refletir sobre a insensatez humana e o ego com mais facilidade, além de nos ensinar enquanto nos fazem rir. Mas, para ter um efeito positivo sobre a mente, precisamos saber escolher o que assistir.

Temos a responsabilidade de escolher que tipo de conteúdo queremos imprimir no nosso cérebro.

O livro “A vida em Linhas” diz: “O nosso cérebro não sabe a diferença do passado, presente e futuro, não sabe a diferença de um acontecimento real da fantasia. Para o nosso cérebro “fazer” ou “pensar” produz o mesmo efeito.”

Então, imagine quando você assiste às novelas que só mostram trapaça, traição! Você está gravando essas imagens e sons no seu cérebro.

Evite programas de anúncios que o agridam com uma rápida sucessão de imagens que mudam rapidamente, com muitas cores, frases e músicas com letras pobres de conteúdo. O hábito de assistir televisão em excesso é uma das causas do aumento do índice de déficit de atenção, um distúrbio que vem afetando milhões de crianças no mundo. 

A atenção deficiente (mudar de canal incessantemente pode agravar isso), de curta duração, torna todos os nossos relacionamentos e percepções superficiais e insatisfatórios. O ser humano pode perder a paciência de aprender algo ou de ouvir alguém; o inconsciente pode buscar “mudar de canal a todo instante” (mudar de parceiro a todo instante, mudar de roupa, mudar de cabelo), causando a falsa sensação de que iremos encontrar algo que nos satisfaça completamente, desviando a atenção do seu eu interior. Errado, não sigam por esse caminho!

Enfim, enquanto estiver de frente à televisão, escolha algum programa que desperte seu interesse, procure prestar atenção na sua atividade mental e desvie os olhares da tela em intervalos regulares, com o intuito de cortar a tal hipnose. 

Não aumente o volume além do necessário e procure desligar a televisão e fazer alguma atividade física ou intelectual, ou apenas a curtir as pessoas que estão ao seu lado, principalmente se tiver crianças na casa.

E assim, vocês verão o benefício de fazer o esforço de ser criterioso nas escolhas e diminuir esse vício na televisão. Você passará mais tempo com você, observará seus pensamentos. O intuito de tudo isso é você se conhecer, mergulhar dentro do seu conhecimento interior, refletir mais sobre a vida, sobre a natureza, sobre o ambiente ao seu redor.

Nós sempre queremos mudar algo: queremos que o governo mude, que nosso chefe mude, as mulheres querem que o marido mude e vice versa, queremos que nosso vizinho mude, que nosso filho mude, queremos mudar o mundo; mas, e mudar a nós mesmos? E quanto a mudar nossos hábitos mais antigos e mudar o que pensamos?

Sibila de Cumes, nos antigos templos da Grécia jamais disse “Modifique os outros”, não, claro que não; estava escrito na entrada dos templos da antiga Grécia, principalmente em Atenas: “nosce te ipsum”, ou “conhece-te a ti mesmo”. 

Jesus Cristo também falava para os discípulos que tentavam compreendê-lo: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás a teu semelhante e a teu Deus”.

Nós estamos certos de que para você conhecer a si mesmo, conhecer como você funciona, como seu corpo funciona, quais capacidades seu cérebro possui, suas habilidades adormecidas; não será sentado horas e horas em frente à televisão que você encontrará e descobrirá tudo isso.

Você só estimula o cérebro se o exercita, por isso quem sempre esteve atento a esta questão terá menos problemas de saúde cerebral, como demência e doenças cognitivas, como Alzheimer.

 “O cérebro é como um músculo: se você exercita, você está mais protegido contra problemas”, diz Lea Grinberg, uma das coordenadoras do Banco de Cérebros da USP. Em caso de danos ao cérebro – seja causado por doenças como Alzheimer ou por pauladas na cabeça –, pessoas com bom nível educacional ou QI alto sofrem perdas menores da capacidade cerebral.

Ao que tudo indica, exercitar o cérebro cria uma espécie de reserva. É possível que, quando necessário, os atletas mentais consigam recrutar outras áreas do cérebro mais facilmente, ou talvez compensem a perda por usarem cada área de forma mais eficiente.

Aliás, uma boa notícia: só o fato de você estar lendo este texto já é um começo. 

“Leitura é um exercício fantástico. Quem não lê está fadado a uma memória mais lenta”, diz Iván Izquierdo, neurocientista da PUC gaúcha. Enfrentar desafios e sair da frente da TV também ajuda, assim como fazer exercícios físicos. Eles não só permitem que o seu cérebro funcione melhor como, provavelmente, fazem nascer novos neurônios.

Referências:

Eckhart Tolle, “Um novo mundo, o despertar de uma nova consciência”
Alessandra Ossiliere / Rosana Batarelli / Eliane do Canto / Ana Eliza Pavão, “A vida em Linhas”
Rafael Kenski, na matéria da revista Super Interessante de agosto 2006 “A revolução do cérebro”

http://despertardegaia.blogspot.com/

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